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Publicado em 23/08/17 às 17:26 | Atualizado em 23/08/17 às 17:31

Olindense será homenageado em ‘Oscar das artes marciais’

Mestre Jorge Farias, que também é artista plástico, terá seu nome eternizado em livro. Homenagem será em São Paulo

Por pedropaulo

Fotos: Maíra Correia/ Prefeitura de Olinda

São 165 títulos no taekwondo e mais de 4600 obras de artes plásticas. É muita conquista para apenas 48 anos de idade do olindense Jorge Farias, mestre e 6º dan de taekwondo e um dos principais artistas plásticos de Olinda. No dia 1º de setembro, Jorge será eternizado no livro Grandes Mestres das Artes Marciais do Brasil, em evento realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A coleção foi lançada em 2009, pela Editora Bueno, tem o propósito de divulgar e registrar o trabalho dos principais professores da área no país. Com o compromisso de valorizar todos os mestres e professores, ao longo de oito edições, registrou mais de 800 biografias, incluindo lendas como Wanderlei Silva e a Família Gracie.

“É um olindense entre os grandes das artes marciais do país. Vou representar nossa academia, município, estado, as crianças, nosso trabalho e nossa força. Sinto-me honrado, uma satisfação muito grande. Este reconhecimento é como se fosse o ‘Oscar da arte marcial’”, destacou Jorge.

Chama a atenção o outro lado de Jorge Farias. Se nos tatames é a cara sisuda para vencer os adversários, sua outra face mostra suavidade para as obras de arte. O mestre de taekwondo vira o pintor e escultor natural Di Farias, já com mais de 30 prêmios com suas obras.

“Trago o taekwondo e as artes plásticas na minha história, simultaneamente. São muito próximos. Aparentemente são opostos, mas convergem para o mesmo sentido, se encontram na busca pelo “seu eu”. As artes plásticas me realizam profissionalmente e me dá projeção, sem contar que, com ela, eu marco a história”, acrescenta Jorge, ou melhor, neste caso, Di Farias.

A academia Olinda Taekwondo Central, do Mestre Jorge Farias, fica localizada na Avenida Joaquim Nabuco, 911, Varadouro, Olinda. Contatos disponíveis através do Facebook “Olinda Taekwondo Central” ou nos números (81) 9.8503-3518 ou 9.9752-0315. Atualmente, são cerca de 50 alunos. Já para contato com o artista plástico, a versão Di Farias, está disponível no site www.difarias.com ou no telefone (81) 9.9192-3265.

Confira um breve bate-papo com Jorge Farias

Homenagem

A Editora Bueno seleciona, entre mestres de todo país, os destaques desportivos 2017, para homenagem na Assembleia Legislativa. Há a inserção para o livro Grandes Mestres das Artes Marciais do Brasil. Quando você é escolhido para esse evento é muito bom, pois você é destaque, está entre grandes mestres do país. É um marco histórico, um registro que seu trabalho está sendo bem feito. Reconhecimento de 33 anos de prática, 165 títulos, entre mundial (2001), continentais, nacionais, regionais e estaduais.

Referências presentes no livro

Dois grandes, grandes não, super mestres que agora terei a honra de dividir páginas no livro são Woo Jae Lee e Mestre Kang. O primeiro lançou o livro Aprenda Taekwondo, na década de 70. Até hoje é uma referência e um material de busca para os praticantes. É fundamental, um marco. Veio para auxiliar a arte. Terei a oportunidade de encontra-lo no evento em São Paulo. Já Kang é um grande demonstrador da arte marcial coreana.

Início e trajetória no taekwondo

Quando criança, eu era muito guerreiro, se é que você me entende. Um guerreiro sem controle. Continuo guerreiro, mas hoje sou controlado. Arrumava umas briguinhas na escola, era “nó cego”. Comecei a praticar artes marciais muito cedo, para “acalmar”. Passei pelo karatê, boxe, capoeira, judô, outras artes, mas quando vi o taekwondo pela primeira vez, há 33 anos, não quis mais largar. Achei muito interessante por ser uma luta com uso de 70% dos pés.

Formei-me professor de taekwondo em 1990, faixa preta. Abri uma academia no Alto da Bondade, comunidade carente. Passávamos a mensagem dos caminhos certos da vida, afinal, essas crianças têm a criminalidade por perto. Lá, aprenderam a disciplina, hierarquia, autocontrole, etc. Foram 16 anos lá. Resgatamos muita gente, outros viraram professores, campeões nacionais.

Hoje, temos a academia aqui no Varadouro, há uns cinco anos, dando continuidade no trabalho, com uma condição melhor.

Filosofia

A filosofia do taekwondo, das artes marciais em geral, me encanta. Percebi que se deve praticar para nunca usar na rua. Fui aprimorando, aprofundando, aprendi muito sobre a luta, competição. Quando a graduação aumenta, a gente amadurece, o conceito da competição, e a parte disciplinar cresce, a importância da formação do caráter também. É básico saber onde, quando e como devemos usar o taekwondo. Isso é o principal da filosofia desta arte marcial coreana. Você tem o controle pessoal. Fugir de um confronto não é ser covarde. Covarde é aquele que fere o mais fraco.

Antes do taekwondo

A vida sempre foi muito difícil, morava em periferia. Passamos dificuldades. Mas isso fortalece, dá um gás ainda maior.

Artes plásticas

Comecei no taekwondo em 84, 85. Já comecei na pintura em 88, após alguns cursos. Minhas obras estão em 43 países, são quase 30 anos nessa área. Levo muito a sério. Tudo que você se determinar a fazer, faça da melhor forma possível. Na pintura, são 30 prêmios, entre eles o 1º lugar no Salão de Artes Internacional de Londres, que me proporcionou bolsa para estudar em Paris. Agradeço a Deus por fazer o que gosto e sobreviver disso. A arte plástica me realiza, já a arte marcial me dá projeção. No esporte, eu posso ajudar pessoas, resgato a criançada. A pintura me deixa num estado que paro para refletir “estou bem comigo mesmo”. Você de bem com si, está de bem com todo mundo.

Polêmica do MMA

A mistura de artes marciais (MMA) é um comércio, é um negócio. Toda prática marcial é válida, porém o MMA é uma mistura de várias artes. Quando eu misturo, eu não tenho a filosofia de nenhuma. Eu aprendo a bater, chutar, esmurrar. Aprendo a parte marcial da luta, que preciso treinar para competir. Porém, não se aprende a filosofia, a disciplina marcial. A arte marcial ajuda na educação da pessoa. O MMA ensina só o bater, é complicado. Sou a favor do MMA desde que o praticante tenha uma formação antes, seja de taekwondo, capoeira, karatê, jiu-jitsu, etc, para passar pelo processo de lapidação e tem o conceito da filosofia.

Algumas obras de Jorge. Foto: reprodução/ Site Di Farias