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África mãe da terra, coração do planeta

Tema do Carnaval de Olinda 2011 é África. O artista plástico responsável pela cenografia da cidade, Fernando Augusto, é o homenageado da festa

Publicado por: Secretaria de Comunicação de Olinda, em: 17/02/11 às 17:40
Maracatu Pernambucar-te (Prévias - Carnaval 2011)

As prévias do carnaval 2011 atraem uma multidão nos fins de semana. Na foto, Maracatu Pernambucar-te. Foto: Fernanda Mafra/Pref.Olinda

No Carnaval 2011, a Prefeitura Municipal de Olinda irá render homenagem ao continente africano. “África mãe da terra, coração do planeta” é o tema da festa, que leva a assinatura do artista plástico Fernando Augusto, figura já tradicional do maior Carnaval de rua do mundo.

– CENOGRAFIA

A cenografia da cidade para os festejos de Momo contará com mais cem peças de até 4,70 metros e levará o folião a um passeio pelas origens da humanidade. Bonecos representando diferentes etnias, totens, máscaras, marionetes tradicionais africanas e animais da fauna local, como galinha d´Angola, leopardo e macaco, estarão distribuídos por 44 palcos no Sítio Histórico de Olinda.

“Foi da África que saíram todos os demais continentes. Ela é a mãe da humanidade”, explica o artista sobre o tema da cenografia. Fernando se refere ao fenômeno geológico denominado pangeia, ocorrido há cerca de 200 milhões de anos. A teoria baseia-se no preceito de que todos os continentes formavam um único bloco de terra e foram se desprendendo a partir do centro que hoje conhecemos como África. “Toda a fonte de conhecimento vem de matrizes africanas”, complementa o artista.

Figuras elegantes, longilíneas, cheias de movimento e monolíticas (esculpidas em uma só peça) ganham vida nas cores marrom, ocre e vermelho queimado. Tudo fruto de pesquisa desenvolvida pelo artista, envolvendo dezenas de livros e ainda duas visitas ao continente. “Nós latinos temos uma dívida com a África, de onde herdamos nossas matrizes sociais, nossa cultura e hábitos”, comenta Fernando Augusto.

O cenógrafo conta com um time de 40 artesãos, sendo cinco deles destacados para esculpir as peças. Olindeses das comunidades do V8 e V9, além de artesãos vindos dos municípios de Ibimirim e Glória do Goitá estão entre os especialistas em transformar isopor, fibra de vidro, papel, grude de goma e tinta em espetáculo para receber os foliões.

– INSTALAÇÕES

Uma torre logo na entrada da Cidade Alta vai suspender um grande mapa da África, todo em backlight, ladeado pelos nomes de cada País. A ideia é lembrar as pessoas que a África é um continente que se divide em 56 países. Quatro totens embaixo do mapa completam a instalação com imagens características da forma.

A sede da Prefeitura de Olinda receberá em sua fachada um verdadeiro panteão de deuses afro-brasileiros. É lá onde os foliões poderão admirar um peji (casa de orixás) com 13 dos mais conhecidos orixás: Iansã, Obá, Ogun, Obaluaiê, Oxossi, Xangô, Oxum, Iemanjá, Ibeji, Exu, Maná,Omolu e Oxalá. “Os orixás distribuirão suas bênçãos não somente durante o Carnaval como também pelo ano inteiro”, informa o artista. O trabalho conta ainda com comidas ofertadas aos Santos e seus adereços e ferramentas característicos.

Em um palco frente-a-frente com a prefeitura, os tradicionais Rei e Rainha do Maracatu farão seu cortejo, uma manifestação unicamente pernambucana-africana. No centro da praça se instalará um obelisco de 13 metros, representando mais de três milênios de variadas civilizações. A peça oferece aos foliões frases em escrita cuneiforme (hieróglifos) para reverberar pelo Sítio Histórico: “Ame o Carnaval” e “Preserve Olinda” são algumas delas.

O Pátio das Árvores, ainda no largo da prefeitura, abrigará uma representação de deuses africanos com bonecos – alguns em formas de bichos -, totens e máscaras que transformavam homens em divindades quando era necessária uma intervenção maior nas questões humanas.  Cada instalação contará com placas explicativas em francês, inglês e espanhol.

Já a Praça Laura Nigro, extamente em frente à prefeitura, receberá uma torre com o Rei Momo de um lado e do outro um estandarte monumental de veludo com bordados em canutilhos e paetês, confeccionado pelo Maracatu Piaba de Ouro. A peça carrega frases, todas bordadas, acerca da crescente tolerância dos brasileiros em relação às diversidades culturais, às minorias como índios, quilombolas e pessoas com deficiências.

– CULTURA AFRO-BRASILEIRA

Olinda rende homenagem ao continente africano por todas as relações que a África tem com a nacionalidade brasileira. Diversas manifestações culturais do Brasil sofreram algum grau de influência da cultura africana desde os tempos do Brasil colônia até os dias de hoje. A cultura da África chegou ao Brasil trazida pelos escravos negros e são encontradas hoje em nossa cultura na música popular, religião, culinária, folclore e festividades populares.

O estado de Pernambuco foi um dos mais influenciados pela cultura de origem africana, tanto pela quantidade de escravos recebidos durante a época do tráfico como pela migração interna dos escravos após o fim do ciclo da cana-de-açúcar na região Nordeste. Ainda que tradicionalmente desvalorizados na época colonial e no século XIX, os aspectos da cultura brasileira de origem africana passaram por um processo de revalorização a partir do século XX que continua até os dias de hoje.

– HOMENAGEADO: Fernando Augusto Gonçalves

Nasceu no Recife, mas foi criado em Olinda. Graduado em Comunicação Social e Sociologia é apaixonado pela arte e pela cultura. Iniciou sua carreira artística no Teatro Popular do Nordeste, como assistente de direção, passando a atuar, posteriormente, em áreas técnicas, como cenografia, iluminação e figurinos.

Em 1975 criou o Grupo Mamulengo Só-Riso e passou a coordenar em vários projetos de difusão da arte e da cultura em comunidades carente e escolas de Olinda, além de representar a cidade e o País em vários encontros culturais dentro e fora do Brasil.

Entre os vários cargos públicos que ocupou em Olinda, destaca-se o de Diretor do Patrimônio Histórico, quando coordenou as restaurações do Arquivo Público e da Biblioteca Pública municipais, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e do Palácio dos Governadores, além da construção do Teatro Fernando Santa Cruz. Desde 1994 é cenógrafo do Carnaval da Cidade Patrimônio.

Em 2004, a pedido do Governo do Estado, criou no município de Bezerros o Centro de Artesanato de Pernambuco, nele instalando o Museu do Artesanato de Pernambuco. Em todas as suas áreas de atuação, Fernando Augusto recebeu prêmios de âmbito municipal, estadual, nacional e internacional.

Entre os prêmios importantes que o artista recebeu está o da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo então presidente Lula em ato solene no Rio de Janeiro em 2009. Recebeu também Medalha de Mérito concedida pela Fundação Joaquim Nabuco, o prêmio Rodrigo de Melo Franco do IPHAN e o prêmio Banco Mundial de Cidadania.

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