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Doulas de Olinda comemoram três anos

Desde 2006, voluntárias atuam na maternidade Brites de Albuquerque, ajudando mulheres a viverem o parto, um dos momentos mais importantes da vida, como uma experiência boa e tranqüila.

Publicado por: Secom, em: 14/10/09 às 17:15
Doula atendendo a paciente em Olinda - Foto: Stefan Welkovic/Pref.Olinda

Doula Lindinalva Silva atendendo a paciente em Olinda - Foto: Stefan Welkovic/Pref.Olinda

Momentos desconhecidos e inevitáveis ao ser humano, como o nascimento e a morte, em geral causam medo e muitos preferem nem pensar neles. No parto, a mulher muitas vezes enfrenta o momento com medo. De não suportar a dor, de morrer, de perder o bebê, entre outros. Todos esses medos parecem mais peças de um grande quebra-cabeça que a Doula, juntamente com a gestante, vai montando para que sejam vencidos, e o parto aconteça da forma mais tranqüila possível. Há três anos esse serviço voluntário é prestado na maternidade Brites de Albuquerque por mulheres que se dispõe a acompanhar parturientes durante o pré-parto, parto e a té pós-parto.

Neste mês de outubro está sendo comemorado o terceiro ano que a maternidade oferece às parturientes esse belo serviço voluntário. As doulas se reúnem e fazem um balanço desse período de dedicação e conquistas. Maria Socorro da Silva, 59, Josefa Maria da Silva Miquiles, 44, Maria Lucia Fragoso de Andrade, 61 e Lindinalva Silva de Assis, 37. Quatro Doulas acompanhadas pela coordenação da psicóloga Maria Goretti e da assistente Social Silvania Souza, vencem desafios a cada dia para atuarem e contribuírem positivamente num dos momentos mais importantes na vida das mulheres.

“De forma geral, a mulher nasceu preparada para o parto. Mas inúmeros fatores podem desencadear para um momento traumático, com sequelas para o resto da vida. Ela pensa que vai morrer, entra em pânico, não sabe bem o que significa, nem se localiza no contexto do parto, como um ritual de fatos a se cumprir”, explicou a psicóloga da maternidade, Maria Goretti. “Quando recebe apoio e explicações, começa a se sentir menos perdida. Com dor, mas sem desespero. A sensação da paciente é que chegou alguém que se importa com ela e não vai deixá-la só. Alguém para dar sentido ao que ela está vivendo”, completou.

Doulas de Olinda - Foto: Ana Paula Gomeze

Maria Socorro, Josefa Miquiles, Silvania Souza, Maria Lucia e Maria Goretti - Foto: Ana Paula Gomeze/Pref.Olinda

De acordo com a doula Maria Lucia, como todo trabalho voluntário, muitas vezes é difícil continuar, mas a gratificação é maior.  “Quando as pacientes dizem que sou um anjo na vida delas, eu me sinto recompensada”, enfatiza. “A doula exerce um papel importante. Ela não substitui, e nem deve substituir nenhum outro profissional na hora do parto, assim como não é substituível”, acrescenta Maria Lucia, ressaltando a importância do desempenho de cada papel.

Para Josefa, que inicialmente pensou que ser doula seria uma oportunidade de conseguir emprego, o trabalho voluntário traz uma realização insuperável. “É bom chegar aqui e encontrar um lugar de reconhecimento. Venho para dar e recebo”, ressaltou. Já Maria Socorro que trabalha no Programa de Saúde da Família e usa as folgas para atuar como doula, o serviço voluntário ajuda a vencer as dificuldades da vida. Após uma perda importante na família, se recupera dando amor para as futuras mães.

O serviço começou na maternidade em outubro de 2006 com 10 doulas. A secretaria de Saúde se prepara para abrir novas inscrições e ampliar o quadro, que segundo Goretti tem uma rotatividade grande por ser voluntário.  Para ser doula basta ser maior de idade e querer, mas precisa fazer uma capacitação com noções de parto, funcionamento do corpo e noções de psicologia, que deve ser disponibilizada pela instituição que receberá o trabalho voluntário.

A palavra “doula” vem do grego “mulher que serve”. Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto. Antes do parto ela orienta  a parturiente sobre o que esperar do pré-parto e parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.

Durante o parto a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e a parturiente. Ela pode facilitar a compreensão da paciente, explicando os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares. Desta forma, acolhe a paciente  num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens,  relaxamento, etc.

As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:

  • diminuir em 50% as taxas de cesárea
  • diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
  • diminuir em 60% os pedidos de anestesia
  • diminuir em 40% o uso da oxitocina
  • diminuir em 40% o uso de forceps.
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