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É arte. É pintura. É música. É cultura. Tudo isso é Zé Som

Quando a reportagem chegou ao ateliê, ele pintava o céu azul noturno da cidade de Olinda, com a visão voltada em direção para a cidade irmã, Recife

Publicado por: marcosoliveira, em: 24/01/18 às 16:34

 Dedos, tinta, tela, sensibilidade, música, arte, Som. Zé Som. O artista, que começou a pintar usando apenas as mãos, por não ter dinheiro para comprar pinceis e telas, fez da ausência uma afirmação. Uma marca, que encanta a todos que passam a reconhecer de longe as obras. Ao desenhar coqueiros, praias, ladeiras, igrejas, personagens da nossa cultura, José Eduardo Sarmento, aos 67 anos, emociona pelo talento. Gestos rápidos, passos acelerados, fala que segue o mesmo ritmo. Na mesma velocidade com que se apresenta, as obras vão saindo com admiradores de vários países, que levam consigo um pouco da nossa gente, da nossa cidade. Da cultura de Olinda.  

Engana-se quem pensa que a família é tradicional no meio das artes. Filho de um caixeiro-viajante e de uma doméstica, Zé Som, que tem o prenome igual ao do pai, foi o primeiro a se dedicar plenamente aos encantos artísticos, tendo inicialmente escolhido a música. Daí o “Som”. Porém, foi o senhor José, o pai, um dos fundadores do Donzelinhos dos Milagres. “Grupo que veio antes das Virgens” e que se notabilizava, segundo o artista, pelos homens usarem roupas femininas, já no início do século passado.   

“Eu nasci, de acordo com a minha mãe (Dalva), na frente da Igreja dos Milagres”, afirmou o olindense, que morou em várias cidades espalhadas pelo mundo, mas sempre preservou as raízes na Marim dos Caetés. É possível encontrar os traços dele dentro de casas na República Tcheca, Alemanha, França. Japão e várias outras nações.   

Pai de seis filhos, todos com nomes em homenagem a deuses indianos, seguindo a cultura Hare Krishna, praticada por ele na época do batismo, como, por exemplo, o mais velho: Brama, que é músico, assim como Sutra. Se os hindus influenciaram a certidão dos descendentes, hoje é o xitoísmo que imprime marcas nas telas. Crença religiosa que surgiu no Japão, baseada no culto e respeito da natureza.   

Nos quadros que vão ficando prontos esses elementos são presentes. Quando a reportagem chegou ao ateliê, ele pintava o céu azul noturno da cidade de Olinda, com a visão voltada em direção para a cidade irmã, Recife. Ele estima ter feito mais de 60 mil obras desde que começou aos 38 anos.  

O violão do início da carreira artística, continua como um parceiro. Mas agora nas horas de lazer, regado a um bom vinho na frente da televisão, ao lado da companheira de vida, Maria da Conceição, casados há 39 anos. As letras de música também. Ele compôs um frevo que cantou com a mesma desenvoltura de quem nos encanta com os quadros: “É muito cedo na cidade de Olinda/ Tá tudo escuro, não acordou ninguém ainda/ Vem cá menina, vem, vem cá, meu bem/ Vamos ver, quem vai, quem vem”.   

 

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