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Olinda: Beleza, tradição e berço da República

Olinda sempre se destacou no cenário político e cultural em Pernambuco e no Brasil. Aos 478 anos, a cidade mostra que mantém viva a chama da liberdade

Publicado por: adminolinda, em: 12/03/13 às 19:23
Neste 12 de março, Olinda completa 478 anos de lutas libertárias e democráticas. - Arte: Maturi Comunicação

Neste 12 de março, Olinda completa 478 anos de lutas libertárias e democráticas. – Arte: Maturi Comunicação

No dia 9 de março de 1535, o fidalgo português Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, chegou em terras olindenses a procura de um lugar seguro, mas acabou encantado pela bela visão do alto dos montes, do mar e da natureza exuberante. Na época, a região era habitada por índios tupis-guaranis da tribo Kaeté ou Caetés, como ficaram conhecidos. Por este motivo, originalmente, o povoado ficou denominado “Marim dos Caetés”.

Após dois anos de ocupação próspera, em 12 de março de 1537, Duarte Coelho declarou e enviou para o Rei de Portugal, D. João III, o Foral, uma carta de doação dos bens destinados ao patrimônio público. Na época, o fundador de Olinda também instituiu o título de vila ao povoado e constituiu patrimônio para o conselho da Vila de Olinda, que desde a sua chegada havia se desenvolvido rapidamente e já poderia adquirir autonomia político-administrativa, passando a ser representada por uma câmara de vereadores.

A região tornou-se um dos mais importantes centros comerciais da colônia, com o extrativismo do pau-brasil e o desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar. Enriqueceu a tal ponto que disputava com a Corte portuguesa em luxo e ostentação. Seus velhos sobrados tinham dobradiças de bronze, enquanto as igrejas, principalmente a da Sé, ostentavam em suas portas principais dobradiças de prata e chaves fundidas em ouro.

Em 1630, a Holanda invadiu a Vila de Olinda e conquistou a capitania de Pernambuco. No ano seguinte, a vila foi incendiada pelos próprios holandeses após a retirada dos materiais nobres das edificações que serviram para a construção de novas casas para a nobreza no povoado vizinho, hoje a cidade do Recife.

Após o incêndio, Recife começava a prosperar sob o domínio holandês. Mas, em 27 de janeiro de 1654, os holandeses foram expulsos definitivamente da capitania de Pernambuco e do Brasil, pondo fim a um episódio conhecido como Insurreição Pernambucana.

A partir da expulsão dos holandeses, iniciou-se a lenta reconstrução da Vila de Olinda. Somente em 16 de novembro de 1676 a vila foi elevada à categoria de cidade pelo Império Português e permaneceu capital de Pernambuco até o ano de 1827.

Há mais de 300 anos, exatamente no dia 10 de novembro de 1710, o capitão-mor Bernardo Vieira de Melo, responsável pelo recrutamento das tropas de terceira linha da cidade, deu o primeiro grito em defesa da independência nacional. Este fato representa um importante marco para a cidade, o Brasil e as Américas, já que foi realizado antes da Inconfidência Mineira (1789) e até mesmo da Revolução Americana (1776).

Vista aérea do Sítio Histórico de Olinda. Foto: Antônio Melcop/Pref.Olinda

Vista aérea do Sítio Histórico de Olinda. Foto: Antônio Melcop/Pref.Olinda

“A República é filha de Olinda, alva estrela que fulge e não finda de esplender com seus raios de luz. Liberdade! Um teu filho proclama! Dos escravos o peito se inflama ante o Sol dessa terra da Cruz!” – Composto em 1908, este trecho do Hino de Pernambuco exalta as conquistas históricas do povo pernambucano e reconhece a importância de Olinda como berço da República.

Olinda também é o berço dos cursos jurídicos no Brasil. O Decreto Imperial de 11 de agosto de 1827 inaugurava esta nova vocação da cidade, que no ano seguinte já estabelecia cursos na área no Palácio dos Governadores, prédio que hoje abriga a sede da prefeitura do município.

Após a expulsão dos holandeses do Brasil, Olinda perdeu o seu lugar ao sol e Recife passou a brilhar em seu lugar. A antiga “Marim dos Caetés” passou a servir de refúgio de veranistas e depois adquiriu o hábito de moradia habitual, criando uma vocação natural para a habitação.

Por ser uma cidade pequena em território, Olinda apresenta pouca alternativa referente às atividades econômicas como indústrias, grande comércio e outras atividades significativas do setor de serviços. Mesmo assim, estes setores vem crescendo significativamente nos últimos anos, com a presença de grandes grupos empresariais no município. Além de um shopping que será construído em Bairro Novo, e a abertura de algumas lojas franqueadas do setor alimentício.

Desta forma, a principal fonte de receita da cidade ainda provém do turismo, da cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e de programas de incentivo dos Governos Federal e Estadual.

Estatística da população e localização

A localização da cidade é estratégica. Integra a Região Metropolitana do Recife (RMR), e abriga quase 378 mil habitantes de acordo com o último senso demográfico do IBGE, realizado em 2010. Concentra a terceira maior população do Estado de Pernambuco, e a segunda maior densidade populacional do Brasil com 9.068,36 habitantes por quilômetro quadrado.

Títulos

Cidade Monumento Nacional

A Lei Federal nº 6.863, de 26 de novembro de 1980, mais conhecida como Lei Fernando Coelho, institui e eleva a cidade de Olinda em Monumento Nacional.

Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade

Em 14 de dezembro de 1982, Olinda foi a segunda cidade brasileira a receber o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) por abrigar um sítio histórico de construções coloniais de grande valor cultural, artístico e histórico.

Cidade Ecológica

O título foi conferido ao município de Olinda pelo Decreto Municipal nº 023, de 29 de julho de 1982 pelas diversas áreas verdes existente em Olinda, como o Horto D´El Rey (um dos primeiros jardins botânicos do país) e a Reserva de Floresta Urbana Mata do Passarinho.

Capital Brasileira da Cultura

Olinda foi eleita a 1ª Capital Brasileira da Cultura em 2006. Entre as concorrentes estavam Olinda, João Pessoa e Salvador.

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