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Olinda Jazz leva a música do mundo ao Sítio Histórico de Olinda

Em sua 5ª edição, Festival vem acompanhado pelo projeto Quitutes & Batuques, dentro das ações do Ano da França no Brasil

Publicado por: Secom, em: 28/09/09 às 12:20
Oleg Fateev - Foto: Hans Kreutzer

Oleg Fateev - Foto: Hans Kreutzer

Europa, África e Brasil se encontram no Olinda Jazz, entre os dias 02 e 04 de outubro, em concertos gratuitos de expressões do que se poderia chamar de ‘world jazz’. Em sua quinta edição, o evento abre espaço para o intercâmbio entre artistas locais e internacionais, mostrando que o gênero é versátil o suficiente para adaptar-se a diferentes realidades e tradições. Entre os artistas que passarão pelo palco montado no Mercado da Ribeira: a dupla de cantoras franco-camaronesas Les Nubians; a Amsterdam Klezmer Band, com uma visão contemporânea da tradição musical judaica e dos Balcãs; o cantor, compositor e instrumentista Adama Yalomba, nova revelação da música do Mali; o maestro e acordeonista Oleg Fateev, da Moldávia; e os brasileiros Quinteto Violado, Moleque de Rua, Simone Soul e Bongar.

Este ano o Olinda Jazz acontece em parceria com o projeto Quitutes & Batuques, que promove uma semana de oficinas culturais em pontos de cultura do Recife e Olinda. A primeira noite de concertos terá os artistas envolvidos no projeto, com destaque para as franco-camaronesas do Les Nubians, em suas primeiras apresentações no Brasil. As irmãs Helene e Célia Faussart são conhecidas pelo estilo sofisticado, que mistura fartas doses de jazz ao rhythm and blues, com letras em francês e influências do hip-hop europeu e do novo pop africano. Elas despontaram nas paradas americanas com o álbum mais bem sucedido em língua francesa em mais de uma década. Desde então, são presença constante nas listas de melhores da Billboard. Elas gostam de chamar sua música de afropéia, uma mistura de africana e européia – “com toques da música africana tradicional e contemporânea, mas, principalmente, dos gêneros surgidos a partir da diáspora africana, a exemplo do soul, reggae, zouk, compe e do hip hop. No que diz respeito às sonoridades européias, trabalhamos com o pop, o rock e a música eletrônica”, explica Helene.

Também integrando a caravana do Quitutes & Batuques, o cantor e guitarrista Adama Yalomba é considerado a nova revelação da música do Mali, ex-colônia francesa e celeiro de grandes expoentes da música africana, como Salif Keita, Ali Farka Touré e Habib Koïté. Apontado como um dos renovadores do afropop, Adama também utiliza-se do Dan, um tradicional instrumento de seis cordas originário de seu país. Antes, porém, sobe ao palco o grupo Moleque de Rua, liderado pelo músico e compositor Duda Ferreira, que pede passagem para sua música percussiva e de forte caráter social. Criado há 25 anos, junto aos jovens da vila Santa Catarina, subúrbio de São Paulo, o Moleque de Rua tem cinco álbuns gravados e 15 anos de turnês na Europa. Fazendo uso de instrumentos convencionais e outros criados com sucata, as apresentações do grupo combinam inovação musical com criatividade visual.

No sábado, o Olinda Jazz abre espaço para a tradição musical judaica e as sonoridades do leste europeu com a Noite Cigana. Natural da Moldávia, o maestro e acordeonista Oleg Fateev explora a música erudita e tradicional russa, lançando mão de improvisos e sonoridades folk. Virtuose do instrumento, Oleg vive na Holanda desde 1996, onde aproximou seu trabalho do jazz e da música experimental. Também com raízes no leste europeu, a música klezmer, gênero judaico de caráter festivo e ritmo por vezes incandescente, é um dos eixos criativos da Amsterdam Klezmer Band. Formada por sete músicos holandeses e com cinco álbuns lançados, o grupo irá apresentar recriações da tradição musical iídiche e dos Bálcãs. Impulsionada por uma pesada linha de metais – clarinete, trompete, trombone e sax, além de acordeom e percussão – a AKB faz de cada show uma grande celebração. O clarinetista do grupo, Janfie Van Strien, já se apresentou no Recife, conhece o carnaval pernambucano e promete colocar algum frevo na mistura.

Entre os nomes locais que dividirão o palco com as atrações internacionais, o Quinteto Violado promete instigar o diálogo com um concerto calcado no seu repertório instrumental, dando espaço à verve jazzística do grupo e apresentando clássicos da música nordestina e composições próprias, como Hino da Ceroula, Algodão, Freviola, Forró do Dominguinhos, Baião na Garoa e Chorando de Manhã. De Olinda, o grupo Bongar traz na sua música influências de diversas manifestações populares, com destaque para o coco da xambá, variante do gênero que carrega um forte componente religioso. Oriundo do Ponto de Cultura Nação Xambá, o Bongar é formado por seis jovens integrantes do terreiro Xambá, do quilombo urbano do Portão do Gelo. O grupo foi fundado em 2001, com o propósito de levar aos palcos a sonoridade da tradicional festa do Coco da Xambá, que se realiza na comunidade há mais de 40 anos.

O 5º Olinda Jazz é uma realização da WZM Plataforma Brasil Holanda, com apoio da Prefeitura de Olinda, do Ministério da Cultura e da revista Continente.

PROGRAMAÇÃO

OLINDA JAZZ
Local: Mercado da Ribeira

02/10 – 20h
Quitutes e Batuques
Les Nubians (França/Camarões) *
Adama Yalomba (Mali) *
Moleque de Rua (Brasil)
e artistas de Olinda e Recife convidados
Quinteto Violado

(*) Apresentação do resultado das oficinas do Quitutes & Batuques

03/10 – 21h
Noite Cigana

Simone Soul (Brasil)
Oleg Fateev (Moldávia)
Amsterdam Klezmer Band (Holanda)

04/10 – 17h
Bongar (Brasil)
Adama Yalomba (Mali)
Les Nubians (França/Camarões)

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