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Retratos de Olinda – Cordelista Cansado, por Renata Alves

Num momento de descanso, o vendedor de cordéis é clicado e revela a luta diária para manter viva a cultura popular

Publicado por: adminolinda, em: 10/04/12 às 17:28
Cordelista - Foto: Renata Alves/Acervo Pessoal

Cordelista - Foto: Renata Alves/Acervo Pessoal

Até a cultura precisa de um descanso. Por vezes, fazer uma pausa, tomar um fôlego, um instante de inspiração para seguir em frente forte, renovada e atraente. Afinal, ela é mutável, sensível às transformações do ambiente. Um raro momento como este foi retratado pela estudante de fotografia Renata Alves ao passear pelo ao Alto da Sé, numa tarde de sábado.

“Foi a primeira vez que saí para fotografar, desde que comecei o curso superior. Sempre fui apaixonada por fotografia, mas só este ano tive a oportunidade de fazer uma faculdade na área”, diz a estudante. Ela destaca a foto como uma das mais interessantes, entre as que fez naquela tarde, “não só por descrever o cansaço do vendedor de cordel, que fica andando por Olinda, pedindo atenção para vender o trabalho que carrega numa bolsa de couro pesada. Mas, também por retratar a maioria dos vendedores ambulantes da Cidade Histórica”.

Prostrado sobre a bolsa de couro pesada de poesia, o ambulante toma fôlego para retomar a sua jornada. Detalhe para o seu chapéu de couro coberto por moedas de várias épocas, a maioria sem valor nenhum hoje. À primeira vista, podem ser confundidas com simples botões ou até mesmo fichas metálicas.

Talvez, uma série de amuletos para atrair não só as moedinhas mais novas como também algumas notas. Seus braços protegem, junto de si, o que tem ali de mais precioso: estrofes e rimas, versos e impressões em xilogravura, expressões organizadas em ritmo e cadência. Todos apoiando o descanso de quem as cultivou a fim de uns trocados. O cordel em silêncio. Olhos fechados para o mundo, o poeta toma fôlego para retomar pelas ladeiras de Olinda o caminho que lhe cabe.

Renata Alves lembra que o personagem da foto, depois de muito tempo andando e gritando alguns trechos dos cordéis que vendia, pediu um copo d’água a uma das comerciantes. O pedido fora atendido. Segundo a estudante, o homem deu-se por insatisfeito ao ter recebido apenas um copo. Resultado? Saiu de lá aos gritos maldizendo a mulher por tamanha mesquinharia. “Olinda é uma mistura de classes e culturas”, afirma a estudante.

Aos 25 anos, Renata Alves desistiu do curso de Letras e, atualmente, está se dedicando exclusivamente à Fotografia. Estuda no Instituto Brasileiro de Gestão e Marketing (IBGM) e está elaborando o seu portfólio, iniciando com registros feitos aqui em Olinda.

Além do personagem retratado pela estudante, o Alto da Sé conta ainda com 78 comerciantes, sendo 37 tapioqueiras, 37 artesãos, cinco rendeiras, três fiteiros, uma barraca de lanches diversos, quatro vendedores de coco, cinco vendedores de “caipifrutas” e um vendedor de camisetas. Todos regularizados junto à Secretaria de Transportes, Controle Urbano e Ambiental (Seplama).

Caso algum comerciante queira fazer parte deste cadastro, basta comparecer à Seplama (Estrada do Bonsucesso, 306 – Bonsucesso) com os seguintes documentos: cópia e original do CPF e RG mais um comprovante de residência. Dúvidas ou mais informações podem ser esclarecidas através do telefone 3429-3588, tratar com Antônio Fernando, coordenador de área.

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