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Retratos de Olinda – Coreto da Praça da Abolição (Preguiça), por Wellington Santos

Símbolo da democratização cultural, os coretos guardam a lembrança de um tempo bom em que a inocência falava mais alto

Publicado por: adminolinda, em: 04/05/12 às 13:44
Coreto da Praça da Abolição (Preguiça) - Foto: Wellington Santos

Coreto da Praça da Abolição (Preguiça) - Foto: Wellington Santos

Era tarde de domingo quando o fotógrafo Wellington Santos decidiu fazer um passeio pela cidade de Olinda. Acompanhado da filha, Denise Mikaelly (4 anos), passou por diferentes lugares. Juntos, visitaram a Praia do Carmo, Fortim do Queijo, Alto da Sé, Lagoa do Carmo e outros espaços.

“Tirei várias fotos, mas a do coreto foi a que marcou aquele dia”, ressalta o fotografo. O seu depoimento revela a nostalgia de um tempo feliz que viveu, onde o ponto de encontro da sua turma era o coreto da praça.

“Lembro como se fosse ontem. Eu e mais um grupo de amigos, todos naquela época beirando os 16 ou 22 anos, sempre aos domingos à tarde, nos reuníamos no coreto para trocar idéias sobre cultura, jogos, música, como foi a atuação de cada um na escola, namoro e outros assuntos que circulavam entre a juventude naquele período. Dali, saíram muitos artistas anônimos, produtores culturais, poetas, escritores, músicos e alguns amigos que hoje exercem a função de professor”, relembra Wellington.

É comum chegar a uma cidade de interior e, após uma rápida circulada, encontrar na praça principal um imponente e encantador coreto ocupado por crianças ou casais de namorados. Os coretos são símbolos da democratização cultural, com a saída das expressões artísticas dos espaços fechados para os ambientes públicos. Foram palcos de manifestações políticas e testemunhas de transformações sociais em todo o mundo.

Existem coretos feitos em pedra, tijolo e cimento. Até de madeira e uns mais luxuosos, construídos em ferro, como é o caso do coreto da Praça da Abolição (Preguiça). No Brasil, o surgimento dos coretos populares data de meados do século XIX, para atender cantadores, poetas e, principalmente, bandas de música, que habitualmente se apresentavam nesses locais. As tradições musicais das cidades tinham lugar garantido nos coretos. Hoje, os grandes palcos parecem se adequar mais às necessidades.

O coreto da Praça da Abolição (Preguiça) foi adquirido pelo município de Olinda, em 1914, na gestão do prefeito Arthur Hermann Lundgren, para compor a urbanização da área, que estava sendo transformada em praça. Esses coretos de ferro fundido eram comprados através de catálogos e montavam-se conforme o desejo do comprador, pois eram vendidos em peças separadas.

Este do Carmo foi fabricado pela fundição Sarracen, de Mc Farland & Co., em Glasgow, Escócia. Sua primeira restauração foi realizada nos anos de 1980 com a reposição de peças fundidas a partir das peças originais. Nessa ocasião, recebeu pintura conforme orientação do Prof. Geraldo Gomes da Silva, autor de pesquisas e livros sobre a arquitetura do ferro. A partir de então, vem recebendo manutenções periódicas.

O monumento faz parte das edificações que recentemente passaram por melhorias dentro do projeto de requalificação do Parque do Carmo – que abrange a Praça da Abolição (Preguiça). A obra incluiu ainda a recuperação da Igreja do Carmo, do Posto de Saúde Barros Barreto, a instalação do gradil de ferro que contorna o Parque, além de obras no sistema hidráulico, drenagem, iluminação, paisagismo, estacionamentos, acesso e acessibilidade, piso e pavimentação e ainda do mobiliário urbano.

“Isto é Olinda, cheia de riquezas em imagens que, se você parar por 30 segundos para observar, irá notar o quanto temos de belo para admirarmos e conservarmos”, finaliza Wellington.

Wellington Santos é olindense e reside no bairro do Alto da Bondade. É fotografo amador, cursou Rádio e Jornalismo Comunitário, é operador de áudio e projeção, editor de imagens e áudio, designer gráfico e produtor cultural.

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