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Retratos de Olinda: Passista, por Ana Fonseca

As cores, a energia e a pulsação do passista nas ladeiras de Olinda estavam na mira da fotógrafa Ana Fonseca naquele fim de tarde de dezembro

Publicado por: Secom, em: 26/05/12 às 14:30
Ana Fonseca clicou passistas de frevo no Alto da Sé.

Ana Fonseca clicou passistas de frevo no Alto da Sé.

Impossível falar do carnaval de Olinda sem falar em frevo. Ouvir um acorde sem ter vontade de cair no passo. Fazer o passo e não se sentir o próprio passista. Difícil mesmo é fazer todas aquelas piruetas e não se esborrachar no chão, dando boas risadas depois do baque. O passista é um verdadeiro acrobata da rua. Nem precisa de palco para se apresentar. O cenário ideal para seus espetáculos é mesmo a rua. Que toquem os clarins! Lá vem o passista com a sombrinha na mão fazendo o chão estremecer! Seus passos bailados contagiam o folião, espantam a tristeza e são um convite à alegria.

Foi nesse clima de euforia, ao ver os passistas tomarem conta do Alto da Sé, que a fotógrafa Ana Fonseca fez esse registro de luz e cor. Era dezembro. Dia 04 de dezembro de 2011. “Tinha muita gente. Como sempre, muitos turistas e amantes de Olinda subindo e descendo ladeiras. Foi uma apresentação que penso ter dado boas-vindas aos que sempre ali estão e aos que estavam lá pela primeira vez, mas que certamente voltarão em breve. Então, corri para o meio da apresentação e click! Não perdi a oportunidade, mesmo com pouca luz, muita gente, movimento e o coração acelerado”, relembra.

Ela relata que tentou fotografar até mesmo o ritmo daquele instante. E nem é preciso muito esforço para sentir que a foto tem mesmo uma pulsação. Ela nos remete ao calor do lugar, onde crianças e jovens passistas se misturam com o público que para pra ver o frevo passar, sob o sol de fim de tarde, de um domingo na Sé.

Ana é mesmo uma daquelas “passeantes” de Olinda que experimenta, saboreia a cidade. “A parada na Sé é quase obrigatória. Inclui visitas e compras nas lojas, artesanato local, cachaças com nomes engraçados, tapioca que só Olinda tem, feirinha ao ar livre, as lindas igrejas e sempre alguma apresentação de frevo, capoeira, maracatu ou qualquer outra tradição cultural”, revela.

E não é só Ana que enxerga tanta beleza no Alto da Sé. Um fato curioso é o percentual de fotos que temos recebido da local para publicação no projeto “Retratos de Olinda”. Chega a oitenta por cento. Todas são fotografias recentes. O dado reforça pesquisa da Empetur que indica o Alto da Sé como o ponto turístico mais visitado de Pernambuco.

No intuito de incrementar este potencial turístico, a Prefeitura de Olinda restaurou e requalificou todo o Alto da Sé. Foram investidos R$ 4,5 milhões para a reestruturação do espaço que ganhou elevador panorâmico, um mirante no alto da caixa d’água e um novo mercado de artesanato. Além de melhorar toda a acessibilidade ao local, o embutimento da rede elétrica e a organização do comércio das tapioqueiras. O espaço foi reentregue à população e aos pernambucanos em outubro de 2011. Pouco tempo antes da foto feita por Ana Fonseca.

“Nesse dia, especificamente, ouvi de longe uma frevioca tocando e corri, junto a todos os que estavam por lá, para ver do que se tratava. Foi quando surgiu um estandarte (não lembro qual grupo de frevo) azul e vermelho, com passistas crianças e adolescentes, apenas. Vinham pela rua principal em direção à Igreja da Sé abrindo alas e caminhos por onde passavam. Já era início de noite e a multidão se aglomerava ao redor para ver, dançar e muitos para fotografar as cores e a beleza do frevo”, detalha a fotografa.

Ana Fonseca é fotógrafa profissional e freelancer. Fotografa há cinco anos, é apaixonada pela fotografia e todas as suas nuances e descobertas eternas no jogo da luz e sombra. Formou-se no Senac, fez cursos de especialização, workshop, participou de encontros promovidos pela FUNDAJ, foi selecionada para a III Mostra Recife de Fotografia, com o trabalho “Bolhas, Balanços e alguns saltos”. Também ficou entre os 30 fotógrafos selecionados para a primeira exposição do SENAC , intitulada “Olhares para a Natureza”, exibida no MAC em Olinda e depois por vários municípios do Estado de Pernambuco.

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