Tema e identidade visual celebram o encontro, a diversidade e a essência do carnaval de rua da Marim dos Caetés

Compartilhe:

Ouvir a matéria clicar no player

0:00

O Carnaval de Olinda em 2026 assume aquilo que sempre foi sua maior marca: a rua cheia, o encontro espontâneo e a mistura de todo mundo no mesmo passo de frevo. Com o tema “Tá todo mundo aqui!”, a festa reafirma sua vocação popular e coletiva, transformando mais uma vez as ladeiras do Sítio Histórico em palco aberto para moradores, visitantes, blocos, troças e manifestações culturais de todas as origens.

Tradicionalmente democrático e aberto, o carnaval olindense transforma a cidade em um grande espaço coletivo, onde não há distinções. É essa multidão diversa que se reconhece e se mistura nas ruas, que inspira o tema de 2026 e reafirma o espírito do carnaval como festa do povo e para o povo.

A identidade visual deste ano foi criada pelo artista olindense Ayodê, que desenvolveu uma obra marcada por personagens oníricos e vibrantes, resultado da mistura livre entre elementos tradicionais do carnaval e novas ideias visuais. Inspirado pelo manguebeat, movimento que atravessa sua trajetória artística, o artista propõe uma leitura sensorial da festa, tratando o carnaval menos como um conjunto de símbolos organizados e mais como uma experiência emocional.

“São personagens que misturam lembrança e fantasia, que entendem o carnaval mais como uma emoção, uma sensação, do que como um checklist de elementos”, explica Ayodê.

Ao unir tradição, contemporaneidade e memória afetiva, a identidade visual reforça o convite lançado pelo tema: o Carnaval de Olinda 2026 é um chamado para que todos se reencontrem na Marim dos Caetés e celebrem, juntos, um dos carnavais mais autênticos e reconhecidos do mundo.

Quem é Ayodê?

Ayodê França é artista visual multifacetado, nascido no Recife e criado em Peixinhos, bairro de Olinda. Formado em Design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), transita por diversas linguagens, como ilustração, design gráfico, tatuagem e realização audiovisual. Seu trabalho é marcado por cores intensas e forte expressividade, com referências que vão dos quadrinhos americanos dos anos 1980 e 1990 à animação japonesa, passando pela poesia moderna, o grafite e a pixação, sem deixar de lado manifestações tradicionais da cultura popular pernambucana, como o maracatu, o cavalo marinho e o manguebeat.

A relação do artista com o Carnaval de Olinda é profunda e atravessa sua própria história de vida. Criado nos bairros populares da cidade, Ayodê circulou desde cedo por diferentes territórios, do subúrbio ao Sítio Histórico, construindo uma memória afetiva ligada às ruas, aos personagens e aos sons da festa.

“Minhas lembranças mais antigas do carnaval de rua são de quando eu tinha quatro ou cinco anos: os papangus com suas castanholas, as la ursas pedindo dinheiro nas portas das casas, o som dos sinos dos caboclos de lança chamando todo mundo para a rua. As orquestras de frevo surgiam, passavam pela gente sem pedir licença e iam embora do mesmo jeito”, relembra.

Hoje, aos 41 anos, Ayodê afirma já ter participado de mais de 30 carnavais nas ladeiras de Olinda. “E não pretendo deixar de participar nunca na vida”, ressaltou o artista.

Notícia rápida

Categorias