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Em Olinda, Centro Especializado de Atendimento a Mulher acolhe vítimas de violência doméstica

Entidades de defesa alertam para o aumento de agressões durante o isolamento social

Publicado por: Redação da Secom, em: 04/06/20 às 16:50

O confinamento tem sido a medida mais recomendada pelos serviços oficiais de saúde, na estratégia de conter o avanço de casos do Novo Coranavírus. A quarentena tem demonstrado que a violência doméstica se tornou mais elevada por o agressor e a vítima estarem em contato constante. A constatação é de entidades sociais de defesa da mulher.

secretária executiva da Mulher e Direitos Humanos de Olinda, Verônica Brayner,

A secretária executiva da Mulher e Direitos Humanos de Olinda, Verônica Brayner, afirma que a maioria das vítimas tem receio de denunciar. “Primeiro, por medo do agressor. Depois, por achar que ninguém acredite nelas, tem medo de enfrentar processo e não haver resolução do caso, medo de reviver experiência, de serem culpabilizadas e ainda sentem medo da violência institucional”, disse.

Brayner aponta ainda que uma série de fatores que levam as mulheres a permanecer no silêncio, que vai desde a da dependência financeira – já que muitas não trabalham e precisam da renda da figura masculina para se manter –, até o fato de não encontrarem apoio na família. “Em alguns casos, a vítima relata que a mãe ou a avó falaram que aguentaram coisa pior com os maridos. São relatos de sociedade patriarcal que culpa a mulher pelo fracasso da separação”, pontuou.

O constrangimento também é razão preponderante para que as mulheres não denunciem o agressor. Elas sentem vergonha e temem que os casos sejam tratados como um conflito entre o homem e a mulher. Nunca como problema presente na sociedade.

Em Olinda, existe o Centro Especializado de Atendimento a Mulher Márcia Dangremon, o CEAM. O órgão vem atuando, desde 2005, com ações de prevenção, enfrentamento e implementação de politicas públicas para atender as demandas das mulheres vitimas de violência doméstica. Funciona 24h, considerando que a violência não tem dia nem hora pra ocorrer. O serviço dispõe de atendimento psicológico, jurídico, social e educacional. Realiza atividades profissionalizantes em parceria com instituições e com a Secretaria Estadual da Mulher.

A equipe do CEAM é capacitada para realizar o acolhimento humanizado, respeitando sempre a vontade expressa da mulher em fazer ou não o Boletim de Ocorrência. O principal objetivo é tirar a vítima do ciclo da violência e evitar o feminicídio, com orientações sobre os direitos regidos pela Lei Maria da Penha. O centro oferece ainda Medidas Protetivas de Urgência com abrigamento temporário ou encaminha para outros abrigos do Governo do Estado, inclusive com direto ao acompanhamento dos filhos menores de idade.  É garantido ainda o sigilo de todo o atendimento.

A Secretaria de Desenvolvimento Social, Cidadania e Direitos Humanos de Olinda é responsável pelo órgão que fica na Rua Maria Ramos, 131, Bairro Novo. Informações pelo: 0800.281.2008 e 3429.2707.

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