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Porteiro de escola de Olinda oferece mais que gentileza

De graça, deixar a cabeleira da estudantada mais bonita é o seu compromisso social   

Publicado por: Redação da Secom, em: 27/11/18 às 12:05

Quando a solidariedade está presente uma banca escolar se transforma numa divertida cadeira para cortar cabelo; estudantes municipais saem com a cabeleira bonita; e um porteiro é a prova de que pequenos gestos são sim capazes de mudar o mundo. É isso, tudo isso, que acontece em Olinda na Escola Municipal Brites de Albuquerque, em Bairro Novo, com o trabalho realizado por Célio Bezerra.

São 7h da manhã e o homem de 47 anos, que quando sério dá a impressão de ser de pouca conversa, abre o portão para as crianças do 1.º ao 5.º ano entrarem. São 7h quando não é possível encontrar a tal expressão sisuda que poderia denotar distanciamento. A proximidade com o social é a marca dele. Sorri, deseja bom dia. Boa aula. Desde as 7h não se contenta só em desejar, mas em ser parte ativa para que eles se tornem olindenses cada vez melhores.

Célio, em menos de dois anos, já cortou de graça o cabelo de pelo menos 60 crianças que estudam na instituição. Uma ação que pela questão estética já seria tema desta matéria, mas é muito mais que isso. É cidadania, qualidade de vida, aprendizado para a equipe da escola e para os estudantes.

O desempenho escolar melhorou. A cada corte da tesoura as barreiras que impediam a relação social na sala de aula são quebradas com a mesma velocidade. É o que comenta a diretora Ana Célia Bezerra. “Os pais agradecem muito. Várias das crianças, por não terem condições, ficavam com o cabelo grande e isso prejudicava”, pontua, enquanto é cortado o cabelo do animado Airton, do 2.º ano A, que aprovou o resultado: “Tô é bonito agora”.

De tom professoral, manso, Célio conta que nasceu em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, distante 256 km do Recife, mas veio com um ano morar na Capital, depois vindo para Olinda. “Morei muito tempo em Jardim Atlântico, brincando de futebol e sobretudo de skate”, lembrou saudoso, antes de, com o mesmo sentimento e a voz um pouco travada, falar da filha de 24 anos que mora em Portugal e não abraça há quatro anos, após ter voltado para Pernambuco.

Sim, para o outro lado do Atlântico ele foi em 1999. “Fui viver, coisa de jovem, sem preocupações”, explica. Em terras lusitanas aprendeu o ofício que se profissionalizou com diploma e tudo em 2012, já no Brasil, e hoje dedica aos meninos e meninas. Antes, também como ação social, era aplicado em imigrantes de baixa renda que também tentavam ganhar a vida em Portugal.

Vida que ele hoje ganha na portaria da escola e com a própria barbearia, que leva seu sobrenome, e funciona de segunda a sexta das 15h às 20h, na Avenida das Garças, 157, Rio Doce. Finais de semana e feriados a partir das 8h até o último cliente, já de noite.

No fim da entrevista ele só fez um pedido. “Escreve, por favor, que esse trabalho feito aqui na escola conta com a contribuição de todos. A gente não faz nada só”, falou. Antes de concluir com uma frase que gosta e está registrada em uma das paredes da Brites de Albuquerque: “Nenhum de nós é tão forte quanto todos nós juntos.”

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